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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Desejo você, poesia
Com palavras ainda não nascidas
Linhas perfeitas por poeta algum já escritas
Em letras de luz de idéias minhas

Desejo você, musica
Feita de notas celestiais
Nunca antes reveladas ao homem
Harmonizando ao seu andar as tais
Faiscando o sol nas trevas que somem

Desejo você, flor
Jamais nascida entre os mortais
Com cores e brilhos sem igual
De pétalas feitas com cristais
Um perfume de enlouquecer qualquer normal

Desejo

Desejo porque já és
E por não poder ser eu por ti agraciado
Desejo na minha sombra beber sua luz
Quando passas sem me ver ao seu lado
Deixando sem perceber um pouco de tudo
Que de você me seduz
Seu cheiro, sua cor, sua luz

perfeição 1

Às vezes peregrino as cegas
Em busca do brilho que mais que o sol
Queima minh’alma e das trevas me leva
Em êxtase e metamórfico arrebol

Sou então presa fácil de uma luz
Que dos seus olhos faíscam nos meus
Competindo com seus lábios, ai meu deus
Sem piscar e sem falar, me mata, me seduz

Estrela que me leva a saturno
Um sonho que do infinito desejo
Onde meu verso já não mais taciturno

És um todo de perfeição concreta
Opaco e sem cor já não sinto frio
Seus raios fazem minha aurora um rio

quarta-feira, 3 de junho de 2009

EU AGORA

Sei de mim e do abismo que crio
Um fantasma pra você observar
Chego e parto no curso do mesmo rio
Só desvio meu olhar pra te olhar

Divirto-me apenas em imaginar
Todos os pensamentos que possas ter
Ao ver esse ser em silencio arrogar
A si próprio existir e não crer

Vejo esse mundo tão longe e pequeno
Com pessoas falsamente grandes
Em seus olhares fúteis e perdidos

Meu sentimento hoje é mais ameno
Deixei os medos que me eram antes
Já não sigo cabisbaixo e aturdido

ateu

Se por ventura
Em céu ou inferno eu cresse
Se minha fé não fosse sã
E cega inda taciturna
Sorrindo toda filosofia vã
Em ver o que não é.

Se tive os olhos
Abertos pela força
Que no obvio resiste
Já não é meu viver incerto
Que mesmo fatal acaso
É também livre e triste

Se por ventura
Em céu ou inferno eu cresse
Não sei ao certo do meu riso
Amarelo pela ilusão sabida
Ou sol pela cegueira imposta
Fronte erguida sigo eis a vida.

???

Custa-me acreditar
Vejo seu espírito
Escondo meus olhos
Pra não me cegar em seu corpo
Sinuoso caminhar
Dia após dia
Seu rosto
Sua cor
Se por ventura
O sol negar o dia
Nem diferença eu sinto
Porem se tu faltares
É escuro labirinto
Mas...
Basta-me sua visão
Aos poucos lhe descobrir
Hoje seu nome
Amanhã seu coração
Sonho o impossível sobre você
Sabedor do quão distante
Eu sei
Basta-me assim esse presente
O prazer de apreciar
Em silencio
Seu semblante
Seu olhar

L'amour

Flagrei meu sorriso em outros olhos
Que a primeira vista foi brilho
Refletindo de graça nos lábios seus
Foi como vestir de luz eu maltrapilho

Meu espírito buscando pouso
Encontrou em ti abrigo pro inverno
Na sua voz a força do sol eu ouço
Seu amor perfeito é terno e eterno

Tens para mim a importância do ar
Tão imprescindível quanto à luz
Eis as palavras a lhe eternizar

Versos são poucos em tanto sentimento
Rimas são marcas eternas no peito
Atrasados, não tarde, é meu lamento.

NOITE

Toda tristeza finda em alegria
Que raro vive uma vida plena.
Feito sol, morto na madrugada fria.
Em silencio na sepultura escura

Toda alegria finda em tristeza
Amargando uma existência amena
Como o fogo que mata toda beleza
Sem alarde, nada resiste nada dura.

Toda a vida é uma contradição
Tristes pela alegria desenganada
Felizes pela tristeza abreviada

Vivemos em transição constante
Aurora, crepúsculo, nuvem, estrelas.
Somos noite e dia num só instante