Powered By Blogger

sexta-feira, 30 de março de 2012

SOFRIMENTO

Nada que perder da bagagem agora
Já me vi dono de tanta riqueza
Hoje trôpego a margem da estrada
Passos infinitos fuga afora
Nunca tem no horizonte
Se pondo ou nascendo
Algum sol
Mas eterna a sombra
Do teu semblante

terça-feira, 20 de março de 2012

TORTURA

Algo corroendo feito traça
Algo parido no fundo da maldade
Feito fantasma por trás da vidraça
Cuidando o caos da fragilidade

Falo dos teus olhos que não me libertam
Que não se fecham nos meus mesmo  à morte
Falo dos seus olhos que já não flertam
Falo do inferno que levo por sorte

No passado agora assombrado
Escuro e frio do teu semblante
Falta-me ver algo ser amado

Sobram frios gemidos nas sombras
Olhos assustados de quem tortura
Fitam saudades que hoje amargura 

sábado, 10 de março de 2012

LABIOS

Tive lábios de falar dias e noites
Lábios fartos do mel amargo do amor
Tive lábios sedentos por oceanos
Muitas vezes em uma gota saciados
Lábios que tocaram e sangraram o céu
E que morreram queimados no inferno
Enganados
Tiveste seu e eterno os meus
E veneno ou remédio
Raso ou profundo
Tenho lábios de inverno
Lábios que cerram todos os porquês
Que matam o sol que nem nasceu
Lábios nascidos das trevas
No fundo ainda incógnito
Dos olhos teus

sábado, 14 de janeiro de 2012

FUGA

Nesse canto só cabe meu semblante
Acusado ser o que todos se fazem
Volto ao meu eu eterno de antes
Fujo dessa cova onde todos jazem

Eram todos irmãos da mesma cor
Vivendo a paz de uma mãe aflita
Eram hipócritas gozando na dor
Disputando a herança maldita

Quase um hippie em tempos modernos
Me largo de tudo nesse mar seco
Não sofro com invernos ou infernos

Meu grito é o silencio escrito
Meu lugar é essa fuga insana
Meu eu é esse vocês que eu evito

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

SONHO MORTO

Como podes tamanha facilidade
Criar muros ante a noite abissal
Que nasceu da sua dor realidade
E na fuga privar-me ser luz no teu mal

Voei feito passaro apressado
Na ânsia do ninho repousar as penas
Dei-me com um grande olhar congelado
Distancia maldita que te envenena

Ao longe as ondas da tua tormenta
Tão claras brilham quase em lagrimas
Tão grandes gritam e o cais se lamenta

Seria eu um porto a pisar teus pés
Fosse seu coração terra habitável
Não fosse eu um covarde detestável

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

CRUZ

Quando sai pela porta da frente
Endireitando os passos trôpegos
Eu buscava ao longe alem do portão
Alem algo de onde fosse
Algum semblante de luz
Era noite e a vida me cerrara os dentes
Era cedo para passos tão bêbados
Se são ou se apenas ilusão
Sei que nada a distancia me trouxe
E buscar o além nada é minha cruz

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

HOJE NÃO

Hoje eu não vou falar em tristeza
Eu não quero desenterrar sorrisos
Nem a chuva me tira essa certeza
La fora vomitando ais e granizos