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sexta-feira, 8 de março de 2013

COISAS ESTRANHAS


Sobre tantas coisas estranhas
Eu quero o segredo da dor
E o porquê da não morte
Então tirar das entranhas
Simples como uma flor
Sem cicatriz, sem corte.
Quero que o relógio corra
Que o tempo seja breve
Enquanto do alto de qualquer lugar
Eu veja o fim a que a vida serve
E que tudo morra
Eu não vou cantar
Eu sou estranho e não me acho
Sou perdido sem lugar
Em um mundo especial
De pessoas especiais
É uma tortura a cada passo.

terça-feira, 5 de março de 2013

VIDA PERDIDA


Eu não aprendi tudo com a vida
Cresci aos pontapés
Os anos voaram e eis me aqui
Nenhuma boa sorte me foi querida
Nenhum motivo e nenhuma fé
E se vai à vida a trotes apressados
Levando na enxurrada
Nas aguas da desesperança
Tudo que morreu já no inicio
Bailando fétida dança

sábado, 29 de dezembro de 2012

TEMPESTADE


Desci do céu em um dia nublado
Entre dores e sentimentos imersos
Minha visão pode sentir o estrago
Quando um a um rasguei seus versos

Num dia cinza feito asa de pardal
Senti-me o soldado e a ferida
Esperando o fim da guerra do mal
Esperando algum sinal de vida

Quando tarde vi as marcas profundas
Que teus pés deixaram no espelho
Refletindo sangue e não vermelho

Minhas letras então murcharam sem luz
Pois que eram negros teus silêncios
Deixando eternos apenas lamentos

O QUE EU QUERIA



Queria em silencio que soubesse
Que a saudade é implacável
Que cada segundo morro numa prece
Que sem você não sou mau nem amável

Que compartilho com deus e o diabo
A dor infindável da sua falta
Que respiro e vivo triste fado
Cantado por um peito que se exalta

Que minhas noites são apenas espera
Que meus dias terminam sem começar
Que teus olhos me devoram feito fera

Preciso que entendas um a um
Os urgentes motivos dessas letras
Que sem você meus pés são lugar algum

VIDA VAZIA


Ia me passando a zero a vida
Inda que tanto já fora vivido
Ah!Seria não a houvesse conhecido
A bebi de ti ser feliz querida

Minh’alma tímida por alegrias
Viveu em um ano a eternidade
Em seus lábios todas as idades
Mesmo sabedor que o fim não tardaria

Não têm fim os versos que ainda brotam
Dessa terra fértil onde pisaste
Nesse peito que queira ou não, herdaste

Passa agora lentamente a vida
E poderia deixá-la nesse instante
Pois não há nesse mundo o que me encante

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O MONSTRO


Tinha um monstro
Mas não sob a cama
Não era na janela
Nem o vento na rama
Era horrível o ser
No guarda roupas paz
Mas o sossego jaz
Porque mesmo sem ser
Era
E sendo todos os vultos
Era também todos os medos
Todas as idéias
E pela manhã ele se transformava
Em cortina, roupas e segredos

terça-feira, 6 de novembro de 2012

LAPIDE


Uma lapide infeliz
De quem se diz
O mundo se perdeu
E quem fui eu?
Tudo passa feito ventania
Tudo morre e muito se cria
Mas no fundo do fim
Ai da vida e ai de mim.