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quinta-feira, 3 de maio de 2012

ENTRISTECE-ME


Entristece-me saber que estás feliz
Não porque andas rindo com motivo
Mesmo porque teu olhar se contradiz
Ao negar de nós um cadáver vivo


Entristece-me saber que estás feliz
E mesmo tal sendo todo meu desejo
Cerro meus dentes nesse falso sorrir
Pois vivo e morro mil vezes teu beijo


Entristece-me saber que estás feliz
Faz-me chorar n’alma tantas saudades
Lembrando-me de que não fomos por um triz


Entristece-me saber que estás feliz
Vivo lancinante impiedosa dor
Porque brilhas e não sou eu o causador

sábado, 21 de abril de 2012

FANTASMA


Acordei com um fantasma interrogador
Sussurrando ventos em meus ouvidos
Porque escreves tantos versos de amor
Na magoa de um apenas vivido

Te esqueces pelo visto das alegrias
De tantas paixões vida afora
Te esqueces dos gozos durando dias
Te esqueces e por tão pouco choras

Ora, alma penada que nada sabe.
É certo que muitas vidas foram vividas
É certo que morreram em si mesmas

Perdeste o sol que brilhou minha tez
Porque Minh ‘alma vive dor eterna
Pois que amor só conheci uma vez

sexta-feira, 20 de abril de 2012

TALVEZ


Talvez não tenha sido como foi
Pelos tantos caminhos andados

Talvez os passos fossem acaso

Em uma pressa de olhos alados
Talvez seja o que jamais poderia

E o desejo assim como nada
Mesmo que nascido do temporal

Talvez saibamos como seria
Na insanidade de tudo que foi feito

Na estrada larga o destino final
Talvez morramos na minha poesia

E o tempo borre cada letra
Pois que teus olhos são a tinta

Toda noite
Todo dia

domingo, 1 de abril de 2012

SAUDADES


Morte é saudade enquanto viva
E em paz sinto tantas de tudo
Que seja doença e sofro mudo
Que sejam breves os dias se for vida


Fotos de um jardim de orquídeas
Onde uma flor mais bela que a lua
Dona de um par de asas com meu nome
Faz-se voar feito fada me fazendo rua


No tudo, teus olhos onde me afundo
Retratos cor de sol pelo tempo feito
Verdades vizinhas de um segundo


E na desgraça de tantas verdades
Saudade é ferida viva que pulsa
Que atormenta as eternidades



sexta-feira, 30 de março de 2012

SOFRIMENTO

Nada que perder da bagagem agora
Já me vi dono de tanta riqueza
Hoje trôpego a margem da estrada
Passos infinitos fuga afora
Nunca tem no horizonte
Se pondo ou nascendo
Algum sol
Mas eterna a sombra
Do teu semblante

terça-feira, 20 de março de 2012

TORTURA

Algo corroendo feito traça
Algo parido no fundo da maldade
Feito fantasma por trás da vidraça
Cuidando o caos da fragilidade

Falo dos teus olhos que não me libertam
Que não se fecham nos meus mesmo  à morte
Falo dos seus olhos que já não flertam
Falo do inferno que levo por sorte

No passado agora assombrado
Escuro e frio do teu semblante
Falta-me ver algo ser amado

Sobram frios gemidos nas sombras
Olhos assustados de quem tortura
Fitam saudades que hoje amargura 

sábado, 10 de março de 2012

LABIOS

Tive lábios de falar dias e noites
Lábios fartos do mel amargo do amor
Tive lábios sedentos por oceanos
Muitas vezes em uma gota saciados
Lábios que tocaram e sangraram o céu
E que morreram queimados no inferno
Enganados
Tiveste seu e eterno os meus
E veneno ou remédio
Raso ou profundo
Tenho lábios de inverno
Lábios que cerram todos os porquês
Que matam o sol que nem nasceu
Lábios nascidos das trevas
No fundo ainda incógnito
Dos olhos teus