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domingo, 16 de outubro de 2011

QUARTO ESCURO

Falo e alguém se importa?
Perca o tempo me buscando
E tente não achar insano
Porque eu sou um quarto escuro
Por trás da porta

FANTASMA

O que explodiu foi um sorriso
E o que veio depois eu não sei
Meu cérebro zumbiu feito guiso
De repente seus olhos eram a lei
Reticente que sou, morri
E foram segundos de alem
Resoluto e só que sou
Fantasma pela rua sumi
Amem

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

AQUI O AMOR...



Era só uma silhueta distante
No rastro das lembranças já mortas
Nas mãos me levava ainda pulsante
Sem adeus, só o fechar de portas

Aqui se acabam todas as canções
Aqui o amor deixa de ser amor
Monstro agora de todas as maldições
Morador do putrefato cheiro da dor

Foi quando no despertar do sonho
Vendeu barato as asas por nada
Voltando ao breu da velha estrada

Era agora apenas a imagem
De algo esmaecendo no horizonte
Aqui finda do amor toda coragem

terça-feira, 4 de outubro de 2011

CADA SOFRER.


Sei que da dor se colhem diamantes
E é pelo sofrer de muitos poetas
Que mil versos se fazem gigantes
Nos corações com as portas abertas

Minhas letras nascem vivas feridas
Sangrando magoas no primeiro choro
Quando a morte se faz querida
Trazendo toda a paz num desafogo

Do sofrer brotam frutos venenosos
Que alimentam uma triste pena
Em marcha fúnebre de ais lamentosos

Em silencio Madrugada adentro
Cada letra se faz agonizante
Cada lagrima, cada instante

sábado, 1 de outubro de 2011

ESPELHO MEU


Um belo dia
Acordei atrasado e com sono
Olhei o espelho
Num rápido escovar de dentes
O desgraçado cruel me fala
Homem, como você é feio, meu deus!
E eu ali parado, o tempo correndo
Sem muito que poder dizer
Lavei o rosto
E num leve sorrir repliquei
Ora, vá se fuder

TEIA DE LUZ


Quando o dia se fez
Da noite filho
Deparo-me com o sol
Com o orvalho
Na teia da aranha
Tecendo brilho
E eu calado
No meio da renda
Ela
Calada
Brisa leve, silencio
Segredo revelado
Até a mosca mais esperta
Ficaria ali parada

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

EU


Vou te contar como tenho vivido
Pois quando alguém disse
Que nenhum homem é uma ilha
Eu não havia nascido

Encontro-me sempre vida torta
 Um abismo instransponível
Entre eu e qualquer que seja
É como ser fumaça em brasa morta

Olho e o que vejo não se mede
Pois que nada me agrada
Não tenho palavras
Meu espírito não recua, não cede

Vôo longe tantos invernos
Como passarinho perdido
Buscando ninho
E o silencio meu amigo, meu inferno

Sou onda em mar revolto
Às vezes praia, às vezes fundo
Vento gelado que provoca espuma
Mar de lagrimas em pranto solto

Vou te contar que já não sorrio
Mesmo que os dentes brilhem
No escuro da boca amarga
Fingindo algum ato sombrio

Ai, minhas pernas que cansadas
Caminham milhas por nada
Estrada de poeira e morte
Minhas tantas vidas sendo veladas

Às vezes as nuvens abrem o sol
É como um novo nascimento
A ilusão na crença de algo florescer
O desejo de renascer feito o arrebol

Vou te contar que a esperança
É o sangue correndo em meus rios
É a vida que pulsa nos meus olhos
Que baila em meu eu feito criança